A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), por meio da Comissão da Mulher Advogada (CMA), lançou, nesta quarta-feira (11), o Projeto Fortalecer, programa de apoio psicológico voltado às mulheres inscritas na Seccional. O evento de lançamento, realizado na sede da Escola Superior da Advocacia de Goiás (ESA-GO), marca o mês de março com um compromisso de transformar o cuidado com a saúde mental das advogadas em política institucional permanente.
Na abertura, o evento contou com a presença da presidente em exercício da OAB-GO, Talita Hayasaki; da secretária-geral adjunta da Seccional, Thaís Sena de Castro; da presidente em exercício da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag), Larissa Junqueira Bareato; da presidente em exercício da ESA-GO, Margareth de Freitas; e da presidente da CMA, Juliane Ferreira.
Em sua fala, Juliane afirmou que o objetivo do projeto é preencher uma lacuna há muito reconhecida, mas raramente enfrentada de forma estruturada: a ausência de suporte psicossocial para profissionais que chegam à advocacia já sobrecarregadas por pressões de gênero.
“A iniciativa nasce, sobretudo, da necessidade de acolhimento. Sabemos que existem situações de violência, vulnerabilidade e também pressões próprias da profissão que exigem suporte, inclusive psicológico. Por isso, o projeto foi pensado para oferecer esse apoio e contribuir para que as advogadas tenham condições de seguir firmes na carreira”, disse a anfitriã do evento.
Abertura
Talita Hayasaki destacou a relevância de iniciativas institucionais voltadas à valorização da presença feminina na advocacia e ressaltou o papel das mulheres na construção cotidiana da Ordem.
“A OAB é uma instituição que, todos os dias do ano, é eminentemente construída e movimentada por mulheres. Precisamos, sim, discutir o combate à violência de gênero, mas também falar sobre empreendedorismo, liderança e sobre as vozes femininas que estruturam e impulsionam a advocacia. É importante estarmos atentas ao que nos ameaça e nos enfraquece, mas sem perder de vista aquilo que nos fortalece, nos impulsiona e nos permite avançar”, afirmou.
Thaís Sena, por sua vez, ressaltou a importância de promover espaços institucionais dedicados ao debate de temas que impactam diretamente a trajetória das mulheres na advocacia.
“Tenho certeza de que, juntas, conseguiremos promover grandes mudanças e continuar fortalecendo a presença e o protagonismo das mulheres na advocacia”, disse.
Larissa Bareato falou sobre a importância de reconhecer e valorizar a contribuição das mulheres para a advocacia e para o sistema de Justiça. A presidente também ressaltou iniciativas da Caixa no acolhimento das advogadas.
“A Casag existe para acolher a advocacia e oferecer suporte em momentos importantes da vida profissional e pessoal. Temos, por exemplo, o auxílio-maternidade, que garante apoio às advogadas nesse período, e o auxílio destinado a profissionais em situação de violência doméstica, criado justamente para oferecer suporte em momentos de vulnerabilidade”, afirmou.
Já Margareth Freitas, em nome da ESA, destacou a importância de a Escola sediar iniciativas voltadas ao fortalecimento da atuação feminina na profissão.
“É uma honra para a ESA receber eventos como este, especialmente em um mês tão significativo. Nós, mulheres, somos vozes que estruturam nossas casas, nossos escritórios e também a própria OAB. Por isso, promover espaços de diálogo, reflexão e fortalecimento da advocacia feminina é fundamental”, afirmou.
Vozes que constroem o debate
O lançamento foi celebrado em tarde marcada por painéis que articularam o projeto a temas mais amplos da agenda feminina na advocacia. No painel de abertura, Thaís Sena e a ex-presidente da CMA, Ana Carollina Ribeiro, debateram a liderança feminina e os novos espaços de influência conquistados pelas mulheres na profissão. Já a especialista em Comunicação para Negócios, Liliane Bueno, e a diretora de Comunicação da OAB-GO, Chrissia Bandim, abordaram comunicação empresarial e posicionamento profissional estratégico.
O encerramento ficou com o painel “Advogar, Empreender e Retornar: A Permanência da Mulher na Carreira Jurídica”, com a presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico (CDIU), Tatiany da Mata, e a empresária Bárbara Porto, fundadora de uma marca de joias autorais.
Sobre o Projeto Fortalecer
O atendimento será gratuito e conduzido por meio de convênios com faculdades de Psicologia que disponham de clínica-escola ativa, supervisão por profissional com registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP) e capacidade de atendimento contínuo. Poderão acessar o programa as advogadas que estejam em situação de violência doméstica ou de gênero, que sofram violência institucional, que apresentem sofrimento psíquico ou que enfrentem vulnerabilidade emocional com impacto direto no exercício profissional. O sigilo é garantia central do projeto: nenhum dado clínico será compartilhado, e toda a produção estatística obedecerá integralmente à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Relatórios semestrais anonimizados vão mapear o perfil das demandas, as principais causas de sofrimento identificadas, a incidência de violência institucional e o percentual de retorno pleno ao exercício profissional. O Observatório da Mulher Advogada será o repositório e o núcleo analítico dessas informações, que deverão alimentar propostas preventivas e ações educativas ao longo do tempo.
Após o lançamento oficial, o programa entra agora na fase de formalização dos convênios com as instituições parceiras, prevista para abril. Os primeiros atendimentos estão programados para ter início em maio de 2026, com o primeiro relatório parcial esperado seis meses após o início das atividades.






