O que parecia um sonho distante tornou-se realidade, na última semana, para duas jovens goianas com deficiência visual. Maria Vitória Gomes da Silva, de 24 anos, de Goianésia, e Laura Soares Ferreira, de 23 anos, de Rubiataba, prestaram compromisso na mesma sessão da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO).
Vencendo barreiras, elas agora são oficialmente advogadas. Devidamente inscritas na OAB-GO. Detalhe: tiveram êxito na primeira tentativa do Exame de Ordem.
Elas não se conheciam até então, mas semelhanças não param por aí. Além de se sentarem uma ao lado da outra na sessão de juramento, por obra do acaso, foram aprovadas na primeira fase do Exame de Ordem logo na primeira tentativa e, na segunda fase, escolheram Direito Penal.
No 46º Exame, redigiram a mesma peça, uma resposta à acusação, e responderam às questões discursivas com o apoio de recursos de tecnologia assistida, outra com suporte de ledor e transcritor. Tiveram nota alta e passaram.
Maria Vitória é deficiente visual desde o nascimento, em decorrência de glaucoma congênito. Laura tem baixa visão, causada por retinose pigmentar.
“Vencer barreiras é algo possível com esforço”, afirmou Maria Vitória. Alfabetizada em braile, ela cursou toda a educação básica em escola regular e hoje utiliza leitores de tela, programas que convertem em áudio o texto exibido no computador ou no celular. Concluiu a graduação em dezembro e, durante a faculdade, estagiou em delegacia de polícia e no Ministério Público do Estado de Goiás. Agora, pretende atuar nas áreas criminal e cível.
No caso de Laura, foi alfabetizada de forma convencional pois a retinose pigmentar, doença degenerativa da retina, impede a leitura de livros com letras pequenas e torna ainda mais difícil enxergar em ambientes com pouca luz.
Para estudar, ela trocou o material impresso pelo iPad, com tela iluminada e fonte ampliada, e recorreu ao VoiceOver, leitor de tela do aparelho. Preparou-se para a prova objetiva resolvendo questões e lendo/ áudio a lei seca.
Para a segunda fase, fez curso preparatório e contou com o apoio da mãe, que fez as marcações no Vade Mecum, único material de consulta permitido na prova, e a acompanhou no treino das peças. Já inscrita na advocacia dativa, Laura resume a trajetória:
“Tudo é possível. Basta acreditar e ter disciplina”, afirmou.
O presidente Rafael Lara Martins deu as boas-vindas às novas advogadas. “A OAB-GO tem orgulho de ter as doutoras em nossos quadros da advocacia. Estaremos aqui para apoiá-las no desenvolvimento pleno da advocacia e na defesa de seus direitos”, afirmou.


