Em um movimento que sinaliza uma mudança profunda na forma como o Direito é pensado e praticado, sete comissões da Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Goiás (OAB-GO), de especialidades distintas, uniram forças para enfrentar um desafio urgente: compreender como o uso da Inteligência Artificial no peticionamento está transformando o cotidiano do advogado — a forma como ele pesquisa, argumenta, estrutura teses e produz peças processuais.
O encontro reuniu as comissões de Direito Processual Civil, Direito das Famílias, Direito das Sucessões, Direito Civil, Direito Digital e Informática, Inovação e Gestão Jurídica e Direito Condominial. Tradicionalmente habituadas a debater suas pautas de forma independente, as comissões reconheceram que a transformação digital é um tema transversal, que atravessa desde uma disputa de guarda até contratos civis complexos ou conflitos condominiais, e que, portanto, exigia uma resposta coletiva.
Interdisciplinaridade como método
O presidente da CEDPC, Marcelo Pacheco, destacou que o propósito central do debate foi compreender como a IA está redefinindo o trabalho intelectual do advogado: a pesquisa jurisprudencial, a construção da argumentação e a própria redação das peças. Para ele, ignorar esse movimento não é uma opção responsável.
“A Inteligência Artificial já não é pauta do futuro, ela está na mesa do advogado hoje, interferindo diretamente na forma como se peticiona, como se argumenta e como se constrói a tese. Reunir comissões de áreas tão distintas para discutir esse tema não é apenas oportuno, é necessário. A OAB existe exatamente para isso: unir, orientar e preparar a advocacia para os desafios do seu tempo”, afirmou Pacheco.
A imersão técnica contou com a contribuição de Maria Clara Seixas, presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OAB-BA e mestre pela UFBA. Reconhecida nacionalmente pela Revista Análise como uma das advogadas mais admiradas na área de Direito Digital, ela apresentou ferramentas, limites e boas práticas para o uso da IA no peticionamento, com ética, profundidade técnica e segurança jurídica.
Inovação com responsabilidade
Além das possibilidades técnicas, o debate teve como pano de fundo uma preocupação central: os limites éticos e deontológicos do uso de IA na atuação advocatícia. A tecnologia pode ser uma aliada poderosa na qualificação das peças e na ampliação do acesso à Justiça, mas seu uso irresponsável representa riscos reais à profissão e ao jurisdicionado.
O conselheiro seccional José Andrade, presente no encontro, reforçou o papel da Ordem diante desse cenário:
“A Inteligência Artificial é uma realidade irreversível. O papel da OAB é estar atenta a esse movimento, preparando a advocacia para os novos tempos, estimulando o uso responsável da tecnologia e garantindo que a inovação caminhe lado a lado com os valores essenciais da profissão.”
Um novo modelo de atuação
A reunião conjunta de sete comissões se tornou a concretização de um modelo efetivo de atuação integrada das comissões da OAB-GO. E, quanto à Inteligência Artificial, o encontro foi o ponto de partida para um trabalho aprofundado e contínuo que balizará o uso da IA na advocacia goiana.


