O combate ao golpe contra o sistema de Justiça, popularmente conhecido como “golpe do falso advogado”, esteve entre os principais pontos de debate do 51º Colégio de Presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), reunindo dirigentes de subseções em torno da construção de soluções conjuntas, com foco no aprimoramento da comunicação, no fortalecimento institucional e na articulação com órgãos do sistema de Justiça. Os trabalhos foram iniciados na tarde desta quinta-feira (9), na sede da Seccional, em Goiânia.
A pauta foi apresentada pelo presidente da subseção de Goianésia, Denys Bruno, que destacou o impacto abrangente da prática. Segundo ele, trata-se de um problema que ultrapassa a advocacia e atinge todo o sistema de Justiça. Além dos prejuízos causados às vítimas, o golpe tem gerado crescente demanda da advocacia por respostas mais efetivas. Embora já existam orientações, como o registro de boletim de ocorrência e medidas de segurança digital, Denys apontou a necessidade de avanços que tornem o enfrentamento mais ágil e eficiente.
Ao conduzir o debate, o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, classificou o tema como um dos mais relevantes da atualidade para a classe. Ele enfatizou que a atuação institucional deve se concentrar em três frentes principais: o aperfeiçoamento legislativo, com propostas que ampliem a proteção e a responsabilização dos envolvidos; a busca por mecanismos que viabilizem a recuperação de valores desviados; e, sobretudo, a manutenção de uma comunicação contínua e estratégica com a advocacia e a sociedade.
“Este é um dos temas mais urgentes que enfrentamos atualmente. A resposta passa por atuação estratégica, integração entre as instituições e comunicação permanente, para proteger a advocacia e garantir que a sociedade esteja bem orientada”, disse o presidente.
Debate
Durante os debates, o presidente da subseção de Rio Verde, Alessandro Gil, destacou o papel da campanha institucional já desenvolvida pela OAB, incluindo a produção de material audiovisual informativo. Ele ressaltou que o enfrentamento do problema deve envolver diretamente os órgãos de segurança pública, reforçando que a advocacia e a Ordem também são vítimas da prática e atuam em apoio à sociedade.
A necessidade de ampliar a orientação preventiva também foi abordada pelo presidente da subseção de Jataí, Tiago Setti. Ele chamou atenção para a incidência do golpe em demandas de grande volume, como ações previdenciárias e de consumo, e defendeu que os advogados intensifiquem o diálogo com seus clientes, adotando uma postura ativa na prevenção por meio de informações claras e acessíveis.
Outro ponto discutido foi a própria nomenclatura do golpe. Os presidentes sugeriram a adoção de uma terminologia mais abrangente, como “golpe do sistema de Justiça”, de modo a refletir que a prática atinge não apenas advogados, mas também outros atores institucionais.
“Os advogados não são autores do golpe, mas instrumentos indevidamente utilizados pelos criminosos”, ressaltou Rafael Lara.
Entre as propostas apresentadas, o presidente da subseção de Anápolis, Samuel Borges, sugeriu a criação de um canal estruturado de atendimento à advocacia, com equipe dedicada ao acolhimento, orientação e encaminhamento de demandas relacionadas ao golpe. A iniciativa busca oferecer respostas mais rápidas e suporte direto aos profissionais afetados, além de facilitar a sistematização das informações.
Encaminhamentos
Como encaminhamento prático diante das dificuldades relatadas na comunicação institucional, o presidente Rafael Lara Martins anunciou a nomeação da presidente da subseção de Caiapônia, Priscila Branquinho, como coordenadora de comunicação do Colégio de Presidentes. A medida tem como objetivo fortalecer a integração entre as subseções e estruturar um fluxo mais eficiente de informações e orientações conjuntas no enfrentamento ao golpe.


